Construindo Nossa História: Dino Soares de Arruda Filho

Dino Soares de Arruda Filho

 

O advogado e empresário Dino Soares de Arruda Filho viveu a maior parte da sua vida em São Paulo. Há 13 anos é voluntário na Fundação Gota de Leite e Assistência à Criança- Fungotac.  Como presidente voluntário da instituição, foi acolhido pela cidade, tornando-se um poços- caldense que faz do seu trabalho seu maior orgulho.

Dino Arruda nasceu em Jaú, com dois anos de idade mudou-se para São Paulo, onde permaneceu por 57 anos. Há 13 anos mora em Poços. A cidade atraiu primeiro a irmã, que mudou-se para cá após se casar. Logo depois, os pais de Dino também se mudaram para a cidade e, em seguida, Poços acabou o acolhendo também.

Mesmo antes de se mudar, com o casamento da irmã em 1964 e a mudança dela para a cidade, Dino pode conhecer as épocas áureas e conta como se lembra das boates de Poços. “Lembro da Castelões, da boate Bachianinha, que ficava perto de onde hoje se localiza a loja dos cristais São Marcos, na praça Pedro Sanches. Outra boate que eu gostava muito era a Mug House, que ficava na represa do Bortolan”, lembra ele.

Os grandes carnavais e o frio enfrentado nas férias de julho foram episódios que ficaram marcados na memória de Dino. “Era muito frio, mas muito mesmo, nós que visitávamos a cidade sofríamos”, brinca ele.

Após passar o réveillon em Poços em 2003, uma prima da irmã, a senhora Lilian Carvalho Dias, o convidou para fazer parte da Fundação Gota de Leite. “Vim algumas vezes, fui gostando do trabalho e fiquei, são 13 anos fazendo parte da diretoria e há nove anos sou presidente executivo da Fungotac”, conta.

Formado em direito e empresário, Dino trabalhava no ramo alimentício quando decidiu se mudar definitivamente para Poços. O trabalho o ajudou a superar o divórcio, apaixonando-se pela equipe e pela cidade.

Quando iniciou seu trabalho na Fungotac a fundação passava por sérios problemas financeiros e foi Dino quem precisou solucionar essas questões. Para isso, procurou bancos da cidade para negociar as dívidas e precisou da ajuda da família para poder equilibrar as contas da entidade. “Minha mãe emprestou um dinheiro para que pudéssemos pagar os bancos e sair dos juros”, revela o presidente.

Até então, o empresário nunca tinha trabalhado com crianças, ou tinha feito algo diretamente ligado ao trabalho voluntário, mas percebeu que mesmo depois de muito tempo, poderia dar um novo sentido ao significado do verdadeiro trabalho. “Amo essas crianças, quando estou estressado, vou ao colégio e elas me abraçam tanto que passa qualquer preocupação. Hoje trabalho para eles, antes trabalhava somente para mim”, enaltece Dino.

A fundação sobrevive principalmente de doações, além dos recursos que vêem da escola Nini Mourão, que é mantenedora da Gota de Leite. Dino comenta que é surpreendente saber que as pessoas que mais ajudam a entidade, são os mais pobres, que com um valor pequeno por mês conseguem ajudar a manter o local.

A arrecadação desses recursos também é uma das principais funções do presidente executivo. “Vou atrás de quem pode nos ajudar, das empresas, das pessoas que podem, e esse papel é um dos mais importantes para manter os atendimentos e a qualidade da fundação”, explica Dino.

O presidente acredita que a Fungotac  está estabelecida, mas os desafios para manter a estrutura, os gastos e toda a demanda da fundação são diários. “Precisaremos fazer uma reforma no prédio que está cheio de trincas, a construção é muito antiga, esse já vai ser o nosso desafio para este ano”, ressalta.

Já com Poços no coração, o presidente adotou a cidade e ela o adotou. Em 2011, recebeu o título de cidadão poços- caldense entregue pela Câmara Municipal de Poços de Caldas, sendo reconhecido pelos serviços prestados a cidade. Em 2014 foi eleito a personalidade do ano. Em uma pesquisa feita na cidade, foi a personalidade “poços- caldense” mais lembrada pela população.

 

A Fungotac

A Fundação Gota de leite e Assistência à Criança está há 86 ajudando a população de Poços. Dino fala um pouco do surgimento desse trabalho e das suas fundadoras.

“O colégio foi fundado por Nini Mourão, que realizou a sua vida através do aprendizado e cuidado das crianças. Junto com Lilian Carvalho Dias,  puderam sustentar o que a fundação pode fazer hoje pela cidade. Elas foram os ‘baluartes’ dessa fundação, Dona Lilian está há 67 anos no conselho da fundação”, exalta Dino.

Uma grande curiosidade foi como Dona Nini Mourão conseguiu a doação do atual prédio. Amiga de Assis Chateubriand, um dos maiores jornalistas e comunicadores do país, Dona Nini fez contato com o amigo que tinha influências em todo o Brasil, inclusive no exterior, assim conseguiu a doação do prédio feita diretamente por Assis.

Dino ainda fala sobre a garra de dona Lilian Carvalho Dias na construção das creches. “A construção da creche do Charque, por exemplo, teve ajuda da própria dona Lilian, que transportava o material em seu carro e ajudou na construção”, ressalta o presidente.

O colégio Nini Mourão é o mantenedor da Fungotac. A escola era chamada no passado de ‘A Casa da Criança’ e Dino encontra com muitas pessoas que passaram pela escola. O ensino foi gratuito durante 65 anos.

Com a vinda de outras entidades para a cidade, o colégio precisou se adaptar e hoje há a cobrança de mensalidade. “O Nini Mourão é o colégio mais barato da cidade, por ser uma instituição sem fins lucrativos, cobramos o necessário para cobrir os gastos. Mas o ensino de qualidade nos deixou em lugares significativos no ENEM. Ficamos em segundo lugar em dois anos”, enfatiza o presidente.

Orgulhoso, Dr. Dino mostra toda a estrutura do colégio, as salas de computação, e a sala de psicopedagogia. “Tudo foi conseguido com a ajuda das empresas, bancos, e dos próprios profissionais que trabalham conosco”, fala Dino, mostrando a sala que a própria diretora decorou e  estruturou para receber alunos com autismo e déficit de atenção.

A Fungotac atende a saúde, são 200 procedimentos odontológicos ao mês, 300 consultas médicas. A instituição tem uma farmácia própria que fornece os medicamentos após as consultas. O leite também é distribuído para mais de 500 famílias há 86 anos, tempo em que a fundação funciona.

Dino ressalta que nunca houve uma ajuda governamental, com exceção do período de mandato do Doutor Mosconi, quando conseguiu, junto ao então governador Aécio Neves, a doação de um ultrassom e um mamógrafo que são usados hoje na entidade.

 

Histórias construídas

Sobre todas essas histórias que passaram pela instituição, Dino se recorda de uma que marcou toda a equipe. Ele conta de uma historia que aconteceu na creche do Charque, que fica no bairro Dom Bosco que é tocada pela dona Lilian Carvalho Dias. Em 2011, Dona Lilian recebeu m telefonema da embaixada da França. “No telefone uma senhora dizia a Lilian que há 30 anos tinha adotado uma menina, e dona Lilian a tinha ajudado” , conta  Dino,que lembra que muitas crianças eram deixadas na creche.

Naquele tempo a doação podia ser feita sem as burocracias exigidas atualmente e a fundação ajudou muitas crianças, principalmente as mães para que pudessem criar os filhos.

Lilian se recordou e ouviu da moça ao telefone que a filha que fora adotada queria conhecer o lugar de onde tinha vindo. “Alguns dias depois estávamos recepcionado a jovem que pode conhecer a cidade que tinha nascido. Foi uma semente que germinou depois de 30 anos”, recorda ele.

Dino saberia mais tarde que a jovem se mudaria definitivamente para o Brasil, para a cidade de São Paulo, se casaria com um brasileiro e adotaria duas crianças. “Ela ainda manteve contato conosco, e a partir desse momento passou a ajudar a instituição todos os meses”, conta Dino.

Histórias como essa passaram por todos esses 86 anos. Há 13 anos Dr. Dino pode acompanhar a evolução da escola e do atendimento às grávidas, crianças e idosos.

Além do atendimento a saúde realizando todo o pré-natal das grávidas, distribuindo enxovais, fazendo exames de ultrassom e atendimento odontológico, a instituição também tem acompanhamento psicológico e jurídico gratuito a população.

Além da sede principal, e a escola, a fundação tem uma quadra poliesportiva no bairro Santo André, a creche do Charque no bairro Dom Bosco e a unidade casulo no bairro São José.

Dino ainda brinca que a instituição atende uma ampla faixa-etária. “Desde babando a caducando”, brinca ele. E menciona também das aulas de ginástica que são oferecidas aos idosos.

A fundação tem convênios com a prefeitura através do SUS, são 12 dentistas, trabalhando nos períodos da manhã, tarde e noite. O trabalho de Dino é voluntario, mas trabalhar para o próximo é seu maior orgulho. “Convivo com muitas pessoas, o meu trabalho é saúde, sem ele não teria a mesma disposição para a vida”, confessa.

Os planos para a fundação não param, o próximo projeto em vista é a criação de um banco de leite para as mães que, por algum motivo, não conseguem amamentar seus filhos.

Dino tem um neto de um ano que mora em outra cidade, mas o visita sempre. Com o convívio com as crianças, mata um pouco dessa saudade. A Fungotac chega a atender mais de 30 mil pessoas por ano.

Dino Arruda ainda faz parte da diretoria da irmandade da Santa Casa e ajuda também a arrecadar recursos para o melhoramento do hospital que recebe 86 cidades da região. “Desses atendimentos 95 % são do Sistema Único de Saúde- SUS. Estamos trabalhando para poder ajudar mais e conseguir estruturar o hospital”, explica Dino.

O ioga e o tênis de mesa fazem parte da rotina do presidente. “Jogo ping- pong com as crianças, uma delas esses dias me mandou uma carta dizendo que gostava muito de mim, mas que ainda ganharia de mim no ping-pong”, conta o sorridente Dr. Dino.

Mostrando as cartas recebidas pelos alunos, Dino se alegra em poder ter um trabalho que ajuda tantas pessoas e, principalmente, o ajuda a seguir caminhando. Mesmo chegando a Poços há pouco tempo, Dr. Dino transformou a vida de muitas pessoas, inclusive a sua própria, e tornou-se um poços- caldense.

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