Amigos e parceiros lamentam o fechamento do Jornal de Poços

Nossa imprensa, mais pobre e menos independente

José Carlos Polli

Depois de se manter em circulação diária e ininterrupta, por quase 19 anos, o Jornal de Poços edita neste domingo, 29 de janeiro de 2017, a sua edição de numero 5.622, a última, conforme nota oficial assinada pelo seu proprietário, Ricardo Pereira de Mello. O motivo que levou ao fechamento do jornal está diretamente ligado ao avanço tecnológico que permite hoje aos leitores se informar em tempo real dos acontecimentos através da internet, sem a necessidade de aguardar 24 horas para tomar conhecimento dos fatos publicados na mídia impressa.

Contra o avanço da tecnologia não há o que fazer, foi assim quando surgiu a linotipo que revolucionou a parte gráfica dos jornais e revistas, encerrando o ciclo em que os tipógrafos compunham, letra por letra, as páginas do jornal. O fenômeno se repetiu com o surgimento do sistema off-set de impressão que por sua vez eliminou o linotipo, deixando sem emprego os linotipistas, profissionais até então considerados personagens imprescindíveis na mídia impressa.

Agora chega a vez da internet, que embora tenha democratizado o direito a livre expressão, infelizmente se transformou numa espécie de vale tudo, de terra sem lei, muitas vezes com notícias levianas onde a verdade não é o mais importante. Tem até gente ganhando dinheiro com o “me engana que eu posto”, onde denegrir imagens de fatos e pessoas se tornou um negócio lucrativo, sem que isso implique em qualquer tipo de punição ou processos uma vez que os provedores destes sites normalmente tem sede no exterior. O que importa são as curtidas e os comentários, quanto maior o número, mais dinheiro no bolso.

Se por um lado a internet permite que através de um simples smartphone, qualquer pessoa se comunique com milhares de outros internautas e tenha acesso a tudo que está acontecendo, por outro lado, a seriedade do conteúdo deixou de ser o ponto principal para se tornar um amontoado de verdades e mentiras que nem sempre é possível separar.

Nesta disputa por conteúdo de qualidade estão os veículos de comunicação que para acompanhar a evolução dos tempos se transformaram em um misto de jornal, rádio e televisão. Segundo as últimas pesquisas, a imprensa escrita, principalmente os jornais, mesmo com toda concorrência ainda são os veículos de maior credibilidade junto aos leitores, embora a maior parte deles tenha deixado de lado o jornal em papel, optando pela leitura através dos smartphones, tablets ou computadores.

No entanto, o problema ainda reside em como as empresas jornalísticas e as revistas, conseguirão sobreviver com faturamento exclusivo dos seus portais na internet. A demissão de 1.400 jornalistas no eixo Minas, Rio, São Paulo em 2015 e 1.200 demissões em 2016, mostra que a fórmula ainda não foi descoberta.

Se as dificuldades são enormes para a mídia impressa nacional e regional, é possível imaginar o drama que os jornais estão enfrentando em municípios menores, onde de uns anos para cá, com raras exceções, só conseguiram sobreviver os veículos atrelados ao poder público, em prejuízo do bom jornalismo e da liberdade de expressão.

Nos quase dezenove anos de circulação, graças ao esforço, idealismo e perseverança em busca da verdade do seu diretor-proprietário, Ricardo Pereira de Mello, o Jornal de Poços sobreviveu sempre fiel ao seu slogan de seriedade e compromisso com a verdade. A luta não foi fácil e o prejuízo mensal nos últimos anos teve que ser bancado por ele com dinheiro do próprio bolso.

Quem acompanhou a trajetória deste diário sabe da sua importância e se lembra das muitas bandeiras que defendeu, das lutas e vitórias em benefício da cidade, mesmo diante das injustiças e perseguições, como a que sofreu nos últimos quatro anos por parte do governo petista que nunca soube aceitar as críticas e teve no chefe do Executivo uma pessoa avessa ao contraditório.

Não existe dúvida quanto ao papel importante que o Jornal de Poços desempenhou na última eleição municipal, assim como também não há dúvida quanto à conquista na redução do preço da energia elétrica distribuída pelo DME, em que o ex-prefeito era contrário.

Não fosse o apoio do jornal aos dirigentes do Conselho de Consumidores e a população estaria pagando hoje 29% a mais pela energia residencial e 32% pela de alta tensão. Este apoio é reconhecido pelo próprio engenheiro Cícero Machado de Moraes, hoje presidente do Conselho de Administração, e pela presidente do Conselho de Consumidores, Arleni Mareca.

O Jornal de Poços deixa de circular, mas entra para a história da imprensa escrita local como um veículo que soube respeitar seus leitores e desempenhar com honradez o seu papel, nunca se dobrando diante das ameaças, ao contrário daqueles que não conseguiram se livrar das amarras do poder público.

Em nome da boa imprensa, nosso agradecimento ao empresário Ricardo Pereira de Mello pela enorme contribuição que deu a cidade através do seu jornal, fundado em 1997 da qual tive a honra de participar ao lado de Orlando Rodrigues e Wilson Ribeiro.

Quando um jornal se cala, milhares perdem a voz

Wiliam de Oliveira

Quando um jornal encerra suas atividades, cabe lamentar o fechamento de uma empresa comercial que contribuía para o desenvolvimento da cidade no recolhimento de impostos e nos inúmeros negócios gerados pela atividade.

Quando um jornal fecha suas portas, cabe se entristecer pelos profissionais que irão entrar na fila do desemprego e junto com eles, as suas famílias, suas angustias, seus medos.

Quando um jornal para de circular, a cidade fica mais pobre em suas manifestações empresariais, sociais, políticas, artísticas e culturais. A cidade fica mais quieta, menos humana, mais adormecida e inativa.

Quando um jornal publica a sua última edição, é certamente a pior notícia divulgada ao longo do tempo por suas páginas, pois, termina ali um pouco da história de um município.

O Jornal de Poços irá encerrar suas atividades no próximo dia 29 de janeiro. Para muitos será apenas mais uma publicação impressa que se curva perante a digitalização inexorável do mundo atual.

Contudo, como jornalista e, principalmente como cidadão poçoscaldense, vale registrar o desalento, mas, sobretudo, o agradecimento a todos os profissionais que lá estão, ou por lá passaram, contribuindo para a formação e informação de tantos leitores.

Silencia-se um canal de expressão, um instrumento de cidadania, uma ferramenta de informação. Por tudo, só resta uma certeza: quando um jornal se cala, milhares de pessoas também perdem a voz.

Jornais de Poços: de luto!

Wilson Ribeiro

“Precisa gritar sua força ê irmão, sobreviver / A morte inda não vai chegar / se a gente na hora de unir Os caminhos num só / não fugir e nem se desviar / Memória não morrerá”

Dia 29 de janeiro de 2017 é a data anunciada do fechamento (um sofisma para falecimento) do Jornal de Poços. Uma data triste, dada a importância de um veículo de comunicação na vida de uma comunidade: quanto maior o nível de leitura, maior o nível intelectual e maior o desenvolvimento econômico e social desta comunidade. Maior a participação e o engajamento político e melhor a qualidade de vida.

Parece estranho o editor de um jornal versar sobre o fechamento de um “concorrente” na praça. Mas não devemos ver as coisas assim. Somos todos Poços de Caldas e trilhamos o mesmo caminho, companheiros de viagem. Creio que devemos nos alegrar pelas nossas próprias conquistas e superações – não por colapsos dos outros. E também não devemos nos alegrar quando um companheiro sucumbe nesta jornada.

Porém, aqui há um detalhe entristecedor: era o ano de 1997 e, juntamente com os amigos José Carlos Polli, Orlando Rodrigues e Ricardo Pereira de Melo, participei da fundação e formatação inicial do jornal.

20 anos depois, com tristeza vejo o anúncio do fechamento e Ricardo afirmando que perdeu a corrida para a internet, redes sociais e para os smartphones e seus aplicativos tipo Facebook, Instagran e Tweeter. Como empresário com atuação em múltiplos mercados, ele não viu futuro para os jornais impressos. Sob o ponto de vista empresarial, pode até ser correta esta visão – mas não justa para o futuro das comunidades. A leitura – seja de livro, jornal ou revista, contribui para o desenvolvimento intelectual das pessoas. Com cada vez menos opções deste tipo de leitura, o povo em geral vai ficar cada vez mais “bitolado” e à mercê de figuras como, por exemplo, Donald Trump, que se aproveitam da ignorância alheia para alcançar seus objetivos nada nobres.

Depois desta terrível crise que assola o Brasil há alguns anos, vários outros jornais fecharam suas portas ou suspenderam sua circulação por tempo indeterminado em Poços de Caldas. Destaque para Poços Hoje, Jornal de Segunda, Folha Popular e Jornal do Centro. Só sobraram o Jornal da Mantiqueira, Jornal da Cidade, Brand News (especializado em colunismo social) e a Tribuna da Zona Leste (que em março completa 16 anos de atividade).

Para quem restou, fica o dever de continuar lutando para oferecer à comunidade as opções de leitura impressa e todas suas virtudes (e defeitos também). Como bem canta Milton Nascimento em sua canção Sentinela que inicia este artigo *.

Cidade entristecida

Margarida Valente

A cidade se entristece e todos perdemos quando um veículo de comunicação tão importante como o JORNAL DE POÇOS cala sua voz. O amigo Wilson Ribeiro tem toda razão. Meu abraço amigo ao Ricardo, Irma Baldassim Mello, Neusa Reis, Juliana Santos, Mariana Negrini, Fábio, Jose Carlos Polli, e tantos que por lá passaram. Nada substitui um veículo de comunicação como um jornal escrito. O prazer de toda manhã abrir a porta e ir ao seu encontro e tomar conhecimento das primeiras notícias da cidade é um hábito que já faz parte de nossa vida. Vai ser difícil acostumar sem você meu querido JORNAL DE POÇOS!

Agradecimento

Gisele Ferreira

Em nome da GSC Eventos Especiais e toda nossa equipe, só temos a lamentar pelo fechamento desse Jornal. Mas aproveitamos essa oportunidade, para agradecer pela feliz parceria durante todos esses anos. Sentiremos, para sempre, profunda gratidão por todos os colaboradores do Jornal de Poços, em especial ao seu proprietário Ricardo Pereira de Mello que sempre foi gentil e amoroso com nosso trabalho e nossos eventos. Seus repórteres e jornalistas que nunca mediram esforços para ajudar nas divulgações de nossos eventos.

Queremos aqui deixar registrada nossa satisfação por ter convivido com vocês. O encerramento desse ciclo pode representar o começo de uma nova etapa de felicidades e boas surpresas. Então, vamos em frente com fé e esperança!

Boa sorte a todos.

Com carinho, Gisele Ferreira e equipe GSC Eventos Especiais.

 

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